A
política no Distrito Federal sempre foi uma disputa política
maniqueísta. Os partidos e os candidatos eram divididos em dois mundos
antagônicos e irredutíveis: Deus ou bem absoluto e o mal absoluto ou o
diabo. De um lado estava o PT e de outro um líder carismático, populista
e governador, do DF, por quatro vezes, Joaquim Domingos Roriz.
As campanhas eleitorais foram
transformadas em guerras santas com seus territórios claramente
definidos. Na lado petista, armados com suas bandeiras vermelhas,
convencidos estarem do lado do bem, estavam o eleitores do Plano Piloto,
Lago Sul, Lago Norte, Cruzeiro e Guará. Do outro, carregando os
pavilhões azuis, com a certeza que defendiam “o pai dos pobres”, estavam
os eleitores do Gama, Santa Maria, Brazlândia, Planaltina, Paranoá,
Samamaia e São Sebastião. As regiões administrativas de renda média,
Taguatinga e Ceilândia, dividiam os seus votos entre o grupo azul e o
vermelho.
Era o início da democracia
representativa no Distrito Federal e os guerreiros eram vitoriosos
quando fincavam o pé em suas regiões ou pertenciam às bem remuneradas
corporações do serviço público. Nas eleições de 1991 Roriz não perdeu em
nenhum zona eleitoral. Obteve maioria absoluta em todas exceto Plano,
Guará e Cruzeiro onde obteve 38%, 45% e 40% respectivamente. O Deputado
Distrital Carlos Alberto teve 52% de seus votos no Plano e o Pe. Jonas
89% em Sobradinho. Salviano Guimarães teve 37% em Planaltina e Pirieneus
70% em Brazlândia. O candidato a governador pelo PT Saraiva e Saraiva
teve, teve melhor desempenho no Cruzeiro com 25%, Guará 24% e Plano
Piloto com 21% dos votos válidos.
O gráfico mostra, com nitidez
cartesiana, a divisão entre os dois grupos. A correlação é perfeita.
Quanto maior a renda maior o percentual de votos dos candidatos
petistas, quanto menor a renda maior o percentual de votos rorizistas.
Cristovam, no segundo turno das eleições de 1998, obteve apenas 22% dos
votos em Samambaia e 28% no Paranoá. Inversamente, teve 69% dos votos
dos eleitores do Plano Piloto e 65% do Cruzeiro. Roriz, por sua vez,
caminha na direção oposta. Teve 77% em Samambaia e 72% no Paranoá. No
Plano e no Cruzeiro os azuis terminaram a eleição com a metade dos votos
dos vermelhos.
Hoje,
15 anos após a derrota de Cristovam Buarque para Joaquim Roriz e 12
anos de administração petista no governo federal, as afinidades
eleitorais do grupo de maior renda e escolaridade terminaram. Dilma tem a
melhor avaliação e potencial de votos nas regiões mais pobres e cidades
menores e, em 2010, Marina Silva, ganhou as eleições no Distrito
Federal. Na próximas eleições o desgaste permanecerá. Basta lembrar que,
na última pesquisa do IBOPE, a pior avaliação da Presidente Dilma foi
em Brasília.
A reeleição de Agnelo Queiroz deverá
registrar uma distribuição territorial do voto inversa aos anos noventa.
As maiores dificuldades dos candidatos petistas estarão concentradas
nas regiões de renda elevada como Plano Piloto, Cruzeiro, Guará e
Sudoeste. Nas áreas de menor renda e escolaridade como Ceilândia, Santa
Maria e Samambaia a situação do PT será melhor. A inversão da situação
observada em 1998 é apenas relativa. O PT perdeu bastante vigor nas
regiões de renda elevada e certamente sofrerá uma intensa competição nas
cidades satélites com a popularidade de Arruda e Roriz. Simplificando: o
partido democrático e popular perde muito nas áreas centrais e não
ganha tanto nas periféricas.
O mundo gira e dá voltas. O governador
Cristovam perdeu sua corrida à reeleição. Para uns Roriz ganhou porque
Maria de Lourdes Abadia emprestou seu apoio ao PMDB. Para outros,
Cristovam pareceu arrogante nos debates. Ainda existem aqueles que
atribuem a derrota aos alunos e professores da UnB que deixaram de votar
porque entraram em férias. Muitos apostam que Roriz ganhou porque
prometeu 28% de aumento aos servidores públicos. Enfim, têm histórias
para todos os gostos e preferências, mas talvez, o fator mais importante
foi que o presidente da república era Fernando Henrique Cardoso que
apoiava o candidato do PMDB.
A reeleição de Agnelo Queiroz está longe
de ser uma barbada. Ao contrário, a aprovação de apenas 9% mostra que
as dificuldades são enormes. A seu favor existe um fator de grande
importância que Cristovam Buarque não contou, o apoio da presidente
Dilma Roussef e a importância estratégica do governo de Brasília para a
administração federal.
Fonte: estação da noticia
0 comentários:
Postar um comentário