Rodoviários da empresa deixaram 9 regiões e 200 mil pessoas sem ônibus. Duas cooperativas também aderiram à paralisação por falta de repasse.
O governo do Distrito Federal
informou que notificou a Viação Pioneira nesta terça-feira (11) por
descobrir o contrato de prestação dos serviços de transporte público em
nove regiões. Os rodoviários da empresa estão em greve há uma semana, em
protesto contra o atraso no pagamento de salário e tíquete-alimentação.
A companhia disse que não fez o repasse porque não recebeu do
Executivo. O ato prejudica 200 mil passageiros.
De acordo com o secretário de Comunicação, André Duda, o GDF e a viação
divergem em relação ao valor da dívida. O gestor afirma que o governo
deve R$ 13 milhões da operação branca do Expresso DF, que funcionou por
sete meses gratuitamente. "Ela reclama de uma dívida do passado em
relação a diferenças tarifárias. Ela diz que é R$ 70 milhões, o governo
diz que é R$ 14 milhões."
Duda declarou também que o governo e a empresa participaração de uma
reunião no Ministério Público do Trabalho nesta quinta, quando o GDF
apresentará uma proposta para a Pioneira. Caso o serviço não seja
retomado, há possibilidade de aplicar multa. O G1 procurou a empresa, que não se posicionou até a publicação desta reportagem.
A paralisação começou na última quarta e atinge usuários do Gama, Santa
Maria, São Sebastião, Itapoã, Paranoá, Lago Sul, Jardim Botânico,
Candangolância e Park Way. Nesta terça, ela ganhou a adesão de
motoristas e cobradores das cooperativas Cootarde e Alternativa, que
também relatam atraso no pagamento dos salários. Com isso, o ato foi
ampliado para Samambaia e Brazlândia.
O diretor do DFTrans, Jair Tedeschi, informou nesta terça que deve R$
800 mil para cada uma das cooperativas e ainda R$ 12 milhões à Pioneira.
O órgão afirma que nesta segunda repassou R$ 3 milhões à viação e que
teria pago também à Cootarde o valor de R$ 73 mil. A previsão dada pelo
DFTrans é de que a situação seja resolvida ainda nesta terça.
No entanto, segundo o órgão, ainda não há previsão para que as dívidas
sejam quitadas. "Estamos aguardando novos repasses. Precisamos de
orçamento e financeiro para quitar as dívidas", afirmou Tedeschi.
Por telefone, o Sindicato dos Rodoviários do DF informou ao G1 que
o pagamento de parte da dívida, no entanto, não garante que os
rodoviários voltarão imediatamente ao trabalho. Segundo eles, os
motoristas e cobradores também reclamam que não recebem o benefício do
plano de saúde adequadamente.
Prejudicados
Os 50 ônibus da Cootarde que deixaram de circular atendem cerca de 20
mil pessoas nas regiões de Santa Maria, Gama, Samambaia e W3 da Asa Sul.
Já a cooperativa Alternativa, que atende em Brazlândia, está em greve
desde segunda e tem cerca de 40 ônibus parados.
Com a Cootarde aderindo à paralisação, os moradores de Santa Maria
acabam usando o transporte pirata como opção para trabalhar e estudar.
Fernanda Rodrigues trabalha em uma padaria da Asa Sul e reclama do preço
do transporte pirata.
"[Pagar] R$ 5 para ir e R$ 5 para voltar. Quem aguenta isso?", disse.
Segundo a passageira, no início da manhã, os piratas cobravam ainda R$
3, mas por volta das 8h, passaram a cobrar até R$ 5.
Em São Sebastião, passageiros também continuam prejudicados com a greve
da Pioneira. Rosemeire Souza, trabalha em uma lotérica e disse que está
chegando atrasada no trabalho desde quinta, quando começou a
paralisação. Ela disse que tem gastado o preço normal para ir trabalhar,
mas que o tranporte pirata não para aonde ela quer.
"Só passa rodoviária [do Plano Piloto], aí de vez em quando alguém
desce fazendo Gilberto Salomão [comércio que fica no Lago Sul] e eu vou.
Infelizmente é o que temos para hoje", disse.
Fonte: G1/DF
Foto: Dayane Oliveira/G1
DF notifica Pioneira por descumprir contrato; greve completa sete dias
12 de nov. de 2014
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