A briga pelos votos já começou. Pelo menos, no mundo virtual. A
propaganda eleitoral só é autorizada a partir de seis de julho, conforme
determina a lei. Até lá, os pré-candidatos tentam mostrar simpatia e
divulgar a imagem por meio das redes sociais. Por possibilitar acesso
rápido ao eleitor e não exigir muitos investimentos, além de não contar
com um marco regulatório, os sites mais conhecidos são utilizados sem
parcimônia. A estratégia pode ser notada, principalmente, entre quem tem
mandato e dispõe de estruturas mais organizadas para postar na internet
ações e mensagens.
As práticas são variadas. Para publicar nas próprias páginas, os
políticos tiram fotos em eventos — como encontros com entidades,
campeonatos de futebol, caminhadas por cidades, aniversários e festas —,
em visitas a moradores e em inaugurações, por exemplo. Para agradar às
categorias, os candidatos também publicam parabenizações a toda
comemoração do calendário oficial. Dia da empregada doméstica, do
contabilista, do Trabalho são oportunidades para se apresentarem ao
eleitor. Eles também postam frases de efeito e abraçam campanhas que
estejam na moda, como a contra o racismo, que ficou famosa pela
iniciativa do jogador Daniel Alves, do Barcelona, de comer uma banana
jogado por um torcedor. Foi o caso da deputada Eliana Pedrosa (PPS), que
pegou carona no marketing do craque Neymar, também do Barcelona...
Unidos no mecanismo virtual de vender a imagem, os pré-candidatos
acabam divergindo quando se trata de marcar posição em suas trincheiras.
Se é do lado do governo, o político fala bem das administrações e tenta
colar sua imagem à do governador Agnelo Queiroz (PT) e à da presidente
Dilma Rousseff (PT), como o deputado distrital Chico Vigilante ou o
presidente do PT, Roberto Policarpo. Se é de oposição, a regra é
criticar todo e qualquer tipo de realização do governo petista. Um
perfil no Facebook intitulado “Volta que voto”, em defesa da candidatura
de José Roberto Arruda (PR), tem se dedicado a criticar a atual gestão e
compará-la à do ex-governador.
A aposta no meio digital não ocorre por acaso no DF, a capital federal
tem a maior proporção de eleitores conectados do país. Segundo
levantamento da consultoria Bites, com base em dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), 74,2% acessam a rede mundial de computadores em
Brasília. É a maior média nacional.
A força das redes sociais tem feito os políticos se adaptarem.
Coordenador de várias campanhas, Hélio Doyle destaca a importância da
internet no processo eleitoral. “Todos têm consciência da força. Há uma
polêmica sobre o peso real das redes sociais, com relação ao espaço em
outras mídias, mas todos estão aprendendo a usar. É tudo muito novo e
com evolução rápida”, afirma.
Com o fácil acesso, o território livre pode também ser usado para
ofensas, com perfis não identificados. “As pessoas usam as redes sociais
para fazer a luta política. Aí tem um lado complicado, com agressões,
ofensas, muitas vezes com endereços falsos, ironias, brincadeiras. Nesse
lado, é uma guerra de guerrilha. No lado formal, é uma guerra de
posições. E os dois lados podem ser importantes em uma eleição”,
explica.
Especialista em direito eleitoral, o o ex-presidente da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB-DF) Francisco Caputo ressalta a dificuldade de o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fiscalizar as postagens de políticos e
pré-candidatos na internet. Ele ressalta que, na última eleição, a
fiscalização foi rigorosa, mas, atualmente, com a rapidez que as
publicações são feitas, fica quase impossível fazer um controle de tudo o
que é lançado nas redes sociais. “Os candidatos sabem que o abuso é
passível de punição. É preciso ser cauteloso, não pedir voto, não falar
qual cargo vai concorrer”, detalha.
O advogado explica que postar imagens de agendas políticas, abraços com
eleitores, recados aos seguidores e outras, como as que têm sido
divulgadas pelos candidatos, não é proibido. “Não tem como caracterizar o
pedido de voto. E acredito que, neste primeiro momento, eles serão bem
cautelosos. Mas, depois de escolhido em convenção e definido em
registro, provavelmente o Tribunal libere a propaganda nas redes
sociais. E acho que não vão conseguir controlar eventuais abusos”, diz
Caputo.
“O Tribunal vai impondo limites e os candidatos e marqueteiros vão
encontrando brechas. Em carros, já é possível encontrar adesivos,
domínios de internet. É uma forma dissimulada de fidelizar o eleitor e
fixar o nome (do candidato) de forma lícita”, alerta o advogado. Se
alguém notar propaganda eleitoral antes do prazo previsto para o início
da campanha, a melhor opção é denunciar o caso ao Ministério Público
Eleitoral. Se a propaganda for constatada, os políticos podem sofrer
várias punições, entre elas multas.
6 de julho Início da propaganda oficial dos candidatos
19 de agosto Dia em que começa o horário eleitoral no rádio e na tevê
Fonte: ALMIRO MARCOS e KELLY ALMEIDA - Correio Braziliense.
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