Criança sofreu traumatismo craniano. A hipótese é de que o garoto teria sido espancado pelo rapaz.
A
Polícia Civil expediu mandado de prisão temporária contra Dyrell Dicson
Menezes Xavier, 25 anos. O rapaz, professor de artes marciais, é
suspeito de matar o enteado Miguel Estrela Maceno, de um ano e 11 meses.
O crime ocorreu na última quinta-feira (27), em Vicente Pires.
De acordo com a polícia, a mãe do menino, Gabrielli Baptista Estrela,
23 anos, teria deixado ele com o padrasto e o meio-irmão de 4 anos -
filho de Dyrell – e saído. Cerca de 40 minutos depois, ela teria
recebido uma ligação do marido. Segundo ele, a criança teria caído e
estava desacordada. ...
Miguel foi levado para o Hospital Anchieta, em Taguatinga, com
convulsões. Lá, a equipe médica identificou um traumatismo craniano e
acionou a polícia. Um laudo preliminar apontou que a lesão teria sido
causada por uma ação contundente, o que indica que o garoto teria
sofrido uma agressão externa. Na manhã de sábado (29), o garoto faleceu
após uma parada respiratória.
O casal prestou depoimento na 38ª Delegacia de Polícia na sexta-feira
(28). De acordo com a delegada Tânia Dias Soares, a hipótese de queda
foi descartada, tanto pelo laudo, tanto pelos depoimentos de
testemunhas. Ela explica que o garoto não apresentava lesões visíveis,
mas o laudo apontava traumatismo craniano grave. “Uma lesão muito grave e
que não deixou vestígios. O exame indica que o causador do trauma seria
um fator externo, por uma força extrema”, afirma a delegada.
Durante o depoimento, o padrasto do garoto reforçou várias vezes a
hipótese de queda e afirmou que “manteria a sua versão até o fim”. Foi
quando a polícia suspeitou de que havia algo errado. Segundo ela, Dyrell
em nenhum momento foi acusado de ter batido no garoto, mas mesmo assim,
negava que isto tivesse ocorrido. Além disso, um familiar da vítima
teria afirmado que o garoto ultimamente rejeitava o padrasto. “Ela disse
que teve que ficar com a criança, três dias antes do ocorrido, porque
ela não queria voltar para casa”, conta a delegada.
O filho de Dyrell, de 4 anos, foi encaminhado para perícia. O exame
constatou algumas lesões pelo corpo do garoto. O menino teria contado a
mãe que sofreu agressões por parte do pai. Ele será ouvido, pela
delegacia especializada, como testemunha do crime.
Abuso sexual
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal indicou também uma fissura
anal, mas não indicou o que teria causado a lesão. A delegada Tânia
Dias afirma que ainda é cedo para considerar um suposto abuso sexual.
“Esta lesão pode ter sido causada por qualquer coisa. Até mesmo uma
prisão intestinal. É preciso aguardar resultados para afirmar que houve
abuso”, explica. O laudo deve ficar pronto em 15 dias.
Até o momento, Dyrell é suspeito apenas de ter matado Miguel. “Nós
temos todos os indícios de que houve um homicídio doloso e o padrasto é o
principal suspeito”, afirma a delegada. “Pela natureza da lesão, pela a
força que teria sido aplicada, e até mesmo com uma certa técnica, já
que não deixou nenhum vestígio externo, acreditamos que foi o padastro o
autor do crime. Até porque, ele estava sozinho com a criança”, completa
Tânia.
Foragido
Desde a noite de sexta-feira (28), Dyrell está desaparecido. Ele também
não compareceu ao enterro do enteado, que ocorreu no domingo (30). A
delegada afirma que ele já foi convocado para prestar depoimento
novamente, mas que não compareceu. Os familiares também não sabem do
paradeiro do rapaz. Como a polícia já expediu mandado de prisão
temporária, Dyrell é considerado foragido. A delegada disse que está
preparando também o indiciamento do rapaz.
Dyrell pode responder por homicídio doloso, além do suposto abuso
sexual. A pena para o crime de homicídio é de 12 a 30 anos de reclusão.
Fonte: ESTELA MONTEIRO Jornal de Brasília
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