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Legislativo - Fim do prazo para Benedito

6 de mar. de 2014

Deputado distrital tem até as 18h de hoje para apresentar defesa por escrito na Comissão de Ética da Câmara, onde responde a processo por quebra de decoro. A partir daí, o relator do caso poderá fazer diligências e ouvir testemunhas em um mês. ...

Com o fim do feriado prolongado de carnaval, o tempo começa a pressionar o deputado Benedito Domingos (PP). Encerra-se hoje mais uma etapa do processo de cassação dele na Câmara Legislativa. O distrital tem até as 18h para apresentar defesa prévia, por escrito. É o primeiro passo efetivo desde que o procedimento foi aberto pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, em novembro do ano passado. A partir de agora, Patrício (PT), que é o relator do caso, terá um mês para fazer diligências e ouvir testemunhas.
 
A estratégia da defesa de Benedito, até agora, foi tentar protelar o andamento do processo. No ano passado, por exemplo, foram duas semanas até que o distrital fosse localizado para ser notificado e que começassem a contar os prazos legais. 
 
No fim de janeiro deste ano, o investigado foi à Justiça. Um mandado de segurança interposto pelo advogado Reginaldo de Oliveira Silva no Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) tinha como objetivo suspender o procedimento disciplinar. A peça apontou supostas irregularidades nas decisões legislativas e solicitou que o caso só fosse reaberto após o trânsito em julgado em última instância do processo judicial, no qual Benedito foi condenado por formação de quadrilha, corrupção passiva e fraude a licitações. O pedido do distrital na Justiça ainda não foi analisado.
 
Decisão judicial
Também em 2013, o ex-deputado Raad Massouh (PP) conseguiu suspender o processo durante certo tempo por meio de decisão judicial. O fato foi visto como interferência de outro poder em um assunto que dizia respeito ao Legislativo. Apesar do adiamento, no fim, Raad acabou cassado (leia Memória). Outro ponto preocupante para Benedito Domingos é que o voto aberto virou regra desde o ano passado, quando o Senado derrubou as votações secretas para análises de cassação e de vetos do Executivo. “Se o investigado entra na Justiça, só complica sua situação. É um desrespeito”, diz um deputado da base.
 
Como já está inelegível, a estratégia de Benedito Domingos agora é tentar prolongar ao máximo o andamento do processo na Câmara Legislativa. Um dos caminhos que pode ser usado pelos advogados é exigir que a relatoria na Comissão de Ética ouça mais de 40 testemunhas, assim como ocorreu no processo judicial que condenou o distrital acusado de ter favorecido empresas da família na contratação da ornamentação natalina do DF em 2008. No entanto, cabe ao relator escolher quantas testemunhas vai ouvir. No caso de Raad, o mais recente, foram três de defesa e outras três de acusação. O Correio não conseguiu falar ontem com os advogados nem com a assessoria de Benedito.
 
Fora das urnas
 
A Lei da Ficha Limpa, que passa a valer nas eleições deste ano, torna inelegíveis, por oito anos, os políticos que tiverem os mandatos cassados, renunciarem para evitar a cassação ou forem condenados por decisão de um órgão judicial colegiado (com mais de um magistrado), mesmo que exista instância superior para recurso. O caso de Benedito Domingos se encaixa justamente nessa última tese.
 
Memória
 
Veja os três deputados já cassados pela Câmara Legislativa:
 
Carlos Xavier
 
» Cassado pela Câmara Legislativa em 2004. O distrital Carlos Xavier foi acusado de ordenar o assassinato de um adolescente supostamente identificado como amante de sua ex-mulher. A votação em plenário foi secreta, já que à época ainda não existia a previsão de voto aberto na Lei Orgânica do DF (LODF).
 
Eurides Brito
 
» A cassação de Eurides Brito ocorreu em junho de 2010. Ela era acusada de integrar um suposto esquema de pagamento de mesada a parlamentares. Como o voto aberto passou a ser previsto em 2006, conforme a LODF, a deputada conseguiu, na Justiça, fazer com que a sessão que analisou seu processo fosse fechada.
 
Raad Massouh
 
» Com 18 votos favoráveis, três contrários e duas abstenções, Raad Massouh (PPL) foi cassado em 30 de outubro de 2013. Acusado de desviar parte dos recursos de uma emenda destinada a um evento de Sobradinho em 2010, Raad também conseguiu fazer com que a análise do processo ocorresse em sigilo, graças a uma decisão judicial.
 
O rito
 
Veja como funciona todo o trâmite de um processo de cassação de deputado por quebra de decoro:
 
Mesa Diretora
 
» Recebe o pedido de abertura de processo ético-disciplinar com possibilidade de cassação de mandato. Avalia se há embasamento legal e encaminha à Corregedoria. Essa etapa foi concluída
 
Corregedoria
 
» Analisa o caso. Ouve o investigado e as testemunhas que considerar necessário. Faz um relatório recomendando ou não a instauração de um processo administrativo disciplinar de cassação por quebra de decoro parlamentar e encaminha à Comissão de Ética. A etapa foi concluída
 
Comissão de Ética
 
» Recebe o documento. Faz uma avaliação colegiada se deve abrir a investigação. Vence a maioria dos cinco membros (etapa concluída)
 
» O relator é sorteado entre os cinco componentes (etapa concluída)
 
» A partir da notificação do investigado, abrem-se os prazos
 
» Os advogados têm 30 dias para apresentar defesa escrita e provas (o prazo termina hoje) 
 
» O relator terá 30 dias para diligências, ouvir testemunhas e apresentar seu relatório a favor ou contra a cassação do deputado; O prazo é prorrogável por mais 30 dias
 
» Depois disso, a comissão terá prazo de cinco sessões ordinárias para que a maioria decida se encaminha o relatório (caso seja favorável à cassação) para votação em plenário
 
Comissão de Constituição e Justiça
 
» Caso o relatório seja aceito, a CCJ sorteia um relator, que fica responsável por analisar se o processo como um todo seguiu o rito à luz da legislação. Ele tem prazo de três sessões ordinárias do colegiado para apresentar seu parecer
 
Plenário
 
» Recebe o relatório da Comissão de Ética (aprovado pela CCJ). Para a cassação, é necessária o aval de pelo menos 13 deputados (o quórum mínimo também é de 13 presentes). A Lei Orgânica do DF prevê que a votação seja aberta e decisão do Senado, de novembro do ano passado, reforça tal posição
 
Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar 
 
» Presidente: Dr. Michel (PP)
 
» Vice-presidente: Olair Francisco (PTdoB)
 
» Membros titulares: Agaciel Maia (PTC), Joe Valle (PDT) e Patrício (PT). O petista é relator do caso Benedito Domingos
Fonte: ALMIRO MARCOS - Correio Braziliense

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