'Atraso e oportunismo'
O ex-governador José Roberto Arruda (PR), que na semana passada
acertou com aliados que irá disputar o Palácio do Buriti, responde a 15
processos na Justiça do Distrito Federal. Ações de improbidade
administrativa e outras irregularidades podem implodir essa candidatura
no meio das eleições caso ele seja condenado em segunda instância em
alguma delas e, assim, possa ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
Arruda já foi condenado em primeira instância em dois dos 15 processos:
pelo escândalo da Caixa de Pandora, conhecido como mensalão do DEM, e
pela contratação sem licitação da empresa que organizou amistoso entre
Brasil e Portugal no Gama, em 2008. Ambas sentenças preveem a perda dos
direitos políticos por oito anos, mas, nos dois casos, Arruda recorreu e
continua com o direito de disputar as eleições até que seja condenado
em segunda instância. Não há previsão, contudo, de quando os casos serão
julgados. Já os outros 12 processos que tem Arruda como réu ainda não
tiveram uma sentença.
A candidata a vice na chapa de José Roberto Arruda, Liliane Roriz
(PRTB), está ciente das acusações que pesam sobre o ex-governador, mas
está confiante. "Nunca me aliaria a alguém que está destruindo Brasília
como o atual governo", minimiza a deputada distrital. "Importa para nós é
o que o povo pensa", acrescenta. ...
'Atraso e oportunismo'
A entrada de Arruda na disputa foi criticada por adversários. Também
candidato ao GDF, Toninho do PSol acredita que a tentativa de formação
de chapa emcabeçada por Arruda é 'triste'. A bancada do partido na
Câmara dos Deputados e no Senado planeja, inclusive, solicitar
impugnação da candidatura do ex-governador. "Não haverá trégua de nossa
parte. Ele é ficha suja. A imagem que os brasilienses tem dele é
guardando maço de dinheiro. É um deboche com o povo da cidade. Arruda
não tem condições morais e éticas. Essa coligação beira o ridículo",
alega Toninho.
Por sua vez, o presidente regional do PT/DF, deputado federal Roberto
Policarpo, avalia a tentativa de reeleição de Arruda "como uma junção do
atraso com o oportunismo". Segundo Policarpo, unir Arruda e seus
escândalos da Caixa de Pandora com o ex-senador cassado Luiz Estevão e a
família Roriz é um atraso para a política do DF. "Trata-se de um grupo
que já governou Brasília e levou a cidade para as páginas policiais do
mundo. Seria vergonhosa a reeleição de políticos com esse histórico",
analisa.
Para o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), que deve vir como candidato a
governador do Distrito Federal, nem Arruda nem o atual governador Agnelo
Queiroz (PT) devem ganhar a próxima eleição. "Acredito que quem tem
mais chances de levar a disputa pelo Buriti são os políticos éticos que
querem governar com seriedade", aposta o senador.
'Chapa forte'
Mas nem todos os partidos de olho no Buriti viram a entrada de Arruda
na disputa como algo negativo. Pré-candidata pelo PPS, Eliana Pedrosa
afirma que a candidatura do ex-aliado é legitima e a chapa com Liliane
Roriz é forte. "Quem quiser concorrer com o grupo vai ter que mostrar
boas propostas, pois as últimas pesquisas tem mostrado que Arruda tem
muitos eleitores. Temos que ter ética de aceitar os concorrentes e
defeitos", instiga Pedrosa, que foi secretária nas pastas de Trabalho e
de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) no governo
Arruda, de 2007 a 2010.
Já o presidente do PSDB-DF, Eduardo Jorge Caldas, avalia de forma
positiva a chapa lançada por Arruda. "São duas significantes lideranças
populares com cidadãos em pleno gozo dos seus direitos políticos e que
atendem hoje as condições da lei eleitoral. Mesmo com dificuldades
jurídicas, Arruda tem grandes chances de vencer, já que fez um governo
com grandes realizações", destacou. Caldas afirma ainda que o PSDB terá
candidato ao Buriti e tentará construir com o DEM e o PPS um programa de
governo que permita união de forças e inclusão de novos parceiros.
Na última pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência, em agosto do ano
passado, Arruda aparecia com 14% das intenções de voto em dois cenários
diferentes. "Arruda larga com alta intenção de voto em função do péssimo
governo atual", completa Rollemberg.
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