Apenas em janeiro, a Secretaria de
Segurança Pública registrou na região administrativa um latrocínio, três
roubos a comércio, quatro sequestros relâmpagos e duas tentativas de
homicídio. ...
Ambientes pensados para promover a qualidade de vida e a tranquilidade
dos moradores se tornaram cenário de crimes e sinônimo de medo. Na Asa
Sul, houve pelo menos quatro ataques de assaltantes apenas no fim de
semana. Na madrugada de sábado, um casal de bandidos invadiu, armado, a
loja de conveniência de um posto de combustível, na 307 Sul. Houve briga
e tiroteio. Na comercial da 203/204 Sul, uma mulher e um homem acabaram
vítimas de sequestro relâmpago. Levantamento preliminar da Secretaria
de Segurança Pública do DF traduz em números a violência na região em
janeiro: um latrocínio, três roubos a comércio, quatro sequestros e duas
tentativas de homicídio.
No caso do posto de combustível da 307, as imagens de circuito interno
mostram um casal, ambos com armas de fogo, entrando na loja de
conveniência. O crime aconteceu à 1h30 de sábado. Durante a abordagem,
havia cerca de 15 pessoas no local. No vídeo, o bandido vai em direção a
um dos gerentes, pega o dinheiro dos dois caixas e agride, com
coronhadas, dois clientes que estavam no caixa eletrônico. Os demais
notam a movimentação do criminoso, guardam os pertences, mas a comparsa
percebe e aponta a arma para o grupo.
É nesse momento que um outro cliente entra na loja e aplica um golpe
para imobilizar o assaltante, que começa a disparar a esmo. Há apreensão
e desespero. A assaltante foge, e os dois homens entram em lutam
corporal. Quando a munição do ladrão acaba, a vítima dá um soco e o
derruba. O criminoso foge do estabelecimento, e o rapaz que reagiu desce
as escadas. Percebe que foi baleado e se dirige, sozinho, ao hospital.
No posto de combustíveis, funcionam três restaurantes e um caixa
eletrônico 24 horas. O sócio proprietário de duas das franquias conta
que, no fim de semana, o prejuízo foi de R$ 280. “Não ficamos com
dinheiro em caixa. Passou de R$ 200, tiramos. E tem muita compra com
cartão”, alega o empresário, que preferiu não se identificar. As imagens
do circuito interno estão com a polícia. Os funcionários acreditam que
havia uma terceira pessoa no carro, do lado de fora da loja
conveniência.
O posto também tem câmeras de segurança, mas o equipamento cobre apenas
as bombas e a conveniência. “Ficam muitos pedintes, usuários e
traficantes de drogas na Igrejinha, na comercial ao lado e aqui em
frente. Fiz orçamento para contratar um segurança privado noturno, mas
custa R$ 11 mil. Com a carga tributária que temos, não tenho condição”,
lamenta o proprietário. Ele lembra ainda outro assalto, em 26 de
dezembro. À época, quatro bandidos armados levaram pouco mais de R$ 300.
Na região, havia um posto do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar,
mas a estrutura está desativada há cerca de seis meses.
A pouco mais de 2km dali, na 407 Sul, também há insegurança. Em menos
de três dias, houve dois assaltos, um na sexta-feira e outro no domingo.
No primeiro, um jovem passou de bicicleta e, com um canivete, rendeu os
pedestres. As vítimas gritaram para alguém pará-lo, mas o menino fugiu
com os pertences.
Por volta das 22h de domingo, um grupo praticou assaltos na quadra
residencial. “Os bandidos estavam armados e renderam algumas meninas que
caminhavam pelos blocos. Uma amiga minha passou na hora e ficou sem
saber o que fazer. Moro aqui há 28 anos. Antigamente, era sossegado. Nem
adianta registrar ocorrência, a polícia não aparece”, reclama a
zeladora Rosa Fernandes, 57 anos. No caso do aposentado Manoel Benvindo,
68 anos, os três filhos já foram assaltados. Hoje, ele faz questão de
descer com as netas para elas não brincarem desacompanhadas.
Fonte: Jornal Correio Braziliense - 21/01/2014

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