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Medo domina a Asa Sul

21 de jan. de 2014
 

Apenas em janeiro, a Secretaria de Segurança Pública registrou na região administrativa um latrocínio, três roubos a comércio, quatro sequestros relâmpagos e duas tentativas de homicídio. ...
 
Ambientes pensados para promover a qualidade de vida e a tranquilidade dos moradores se tornaram cenário de crimes e sinônimo de medo. Na Asa Sul, houve pelo menos quatro ataques de assaltantes apenas no fim de semana. Na madrugada de sábado, um casal de bandidos invadiu, armado, a loja de conveniência de um posto de combustível, na 307 Sul. Houve briga e tiroteio. Na comercial da 203/204 Sul, uma mulher e um homem acabaram vítimas de sequestro relâmpago. Levantamento preliminar da Secretaria de Segurança Pública do DF traduz em números a violência na região em janeiro: um latrocínio, três roubos a comércio, quatro sequestros e duas tentativas de homicídio.
 
No caso do posto de combustível da 307, as imagens de circuito interno mostram um casal, ambos com armas de fogo, entrando na loja de conveniência. O crime aconteceu à 1h30 de sábado. Durante a abordagem, havia cerca de 15 pessoas no local. No vídeo, o bandido vai em direção a um dos gerentes, pega o dinheiro dos dois caixas e agride, com coronhadas, dois clientes que estavam no caixa eletrônico. Os demais notam a movimentação do criminoso, guardam os pertences, mas a comparsa percebe e aponta a arma para o grupo.
 
É nesse momento que um outro cliente entra na loja e aplica um golpe para imobilizar o assaltante, que começa a disparar a esmo. Há apreensão e desespero. A assaltante foge, e os dois homens entram em lutam corporal. Quando a munição do ladrão acaba, a vítima dá um soco e o derruba. O criminoso foge do estabelecimento, e o rapaz que reagiu desce as escadas. Percebe que foi baleado e se dirige, sozinho, ao hospital.
 
No posto de combustíveis, funcionam três restaurantes e um caixa eletrônico 24 horas. O sócio proprietário de duas das franquias conta que, no fim de semana, o prejuízo foi de R$ 280. “Não ficamos com dinheiro em caixa. Passou de R$ 200, tiramos. E tem muita compra com cartão”, alega o empresário, que preferiu não se identificar. As imagens do circuito interno estão com a polícia. Os funcionários acreditam que havia uma terceira pessoa no carro, do lado de fora da loja conveniência.
 
O posto também tem câmeras de segurança, mas o equipamento cobre apenas as bombas e a conveniência. “Ficam muitos pedintes, usuários e traficantes de drogas na Igrejinha, na comercial ao lado e aqui em frente. Fiz orçamento para contratar um segurança privado noturno, mas custa R$ 11 mil. Com a carga tributária que temos, não tenho condição”, lamenta o proprietário. Ele lembra ainda outro assalto, em 26 de dezembro. À época, quatro bandidos armados levaram pouco mais de R$ 300. Na região, havia um posto do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, mas a estrutura está desativada há cerca de seis meses.
 
A pouco mais de 2km dali, na 407 Sul, também há insegurança. Em menos de três dias, houve dois assaltos, um na sexta-feira e outro no domingo. No primeiro, um jovem passou de bicicleta e, com um canivete, rendeu os pedestres. As vítimas gritaram para alguém pará-lo, mas o menino fugiu com os pertences.
 
Por volta das 22h de domingo, um grupo praticou assaltos na quadra residencial. “Os bandidos estavam armados e renderam algumas meninas que caminhavam pelos blocos. Uma amiga minha passou na hora e ficou sem saber o que fazer. Moro aqui há 28 anos. Antigamente, era sossegado. Nem adianta registrar ocorrência, a polícia não aparece”, reclama a zeladora Rosa Fernandes, 57 anos. No caso do aposentado Manoel Benvindo, 68 anos, os três filhos já foram assaltados. Hoje, ele faz questão de descer com as netas para elas não brincarem desacompanhadas.
Fonte: Jornal Correio Braziliense - 21/01/2014

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